Masterclass de Cherry Heering agita São Paulo e Rio de Janeiro

A Peter F.Heering iniciou este ano as comemorações de 200 de seu mundialmente famoso brandy de cerejas Cherry Heering. As atividades envolvem uma competição de conquetelaria e Masterclasses para bartenders em mais de 80 cidades do mundo.

No Brasil, a “aula” ficou a cargo da bartender brasileira Claudia Schumacher, que retornou ao país recentemente, após 9 anos trabalhando em Nova York e Nova Orleans. Foram duas paradas, em São Paulo e Rio de Janeiro e os eventos contaram ainda com a presença de Adéle Robberstad, CEO da companhia.Na capital paulista, os bartenders foram reunidos no Guilhotina Bar, que acaba de ser indicado para quatro prêmios no Spirited Awards do Tales of the Cocktail 2017. Já com os cariocas, o encontro foi no agradável Garoa Bar, no Leblon, que faz parte de um grupo de bares que nasceu na Espanha. Perguntada se sentiu diferença entre as duas cidades, Adéle afirma que “os bartenders de São Paulo estavam muito ansiosos para mostrar o que sabiam, talvez por srem mais experientes. Já no Rio, senti uma geração mais jovem, afluente, e que fez muito mais perguntas. Foi muito interessante.”

O encontro contou com boa presença: no total, foram aproximadamente 100 profissionais participantes, que puderam degustar Cherry Heering combinado com 15 destilados diferentes e 2 tipos de bitters, conhecer um pouco mais sobre coquetéis clássicos criados com o produto e, ao final, alguns voluntários assumiram a barra para preparar drinks para todos. Além disso, foi o lançamento oficial do Heering Classic Challenge, concurso global da marca, também parte da comemoração dos 200 anos em 2018.

Após um Singapore Sling de boas-vindas, Claudia abriu as apresentações contando um pouco da história do Cherry Heering, para logo em seguida apresentar três clássicos criados com o brandy de cereja de origem dinamarquesa e que é importado ao Brasil pela Maison Laffitte.

Como escreve Simon Difford em nossa página sobre o Singapore Sling, as evidências sugerem que foi de fato o chinês Ngiam Tong Boon quem criou o Gin Sling, atualmente conhecido como Singapore Sling, quando trabalhava no Long Bar, no Hotel Raffles, em Singapura. Isso aconteceu em algum momento entre 1899, quando Boon começou a trabalhar no hotel após a sua expansão, e 1915, quando ele morreu, depois de deixar o hotel para viajar de volta para Hainan, na China. Há pouca controvérsia sobre quem criou o Singapore Sling, aonde e quando. Mas há um enorme debate sobre qual o nome e ingredientes originais. Por isso vale a pena ler o artigo de Simon.

Outro clássico apresentado e degustado foi o Blood and Sand, provavelmente o coquetel de scotch whisky mais conhecido. Foi criado em 1922 e o nome homenageia um filme de touradas com Rodolfo Valentino, lançado no mesmo ano.

Para fechar esta parte, Claudia nos apresentou o Remember the Maine , cujo nome é inspirado pelo slogan criado pela imprensa norte-americana e que, supostamente, incitou o início da Guerra Hispano-Americana de 1898. “Maine” era o nome de um encouraçado dos EUA que afundou misteriosamente no porto de Havana, em Cuba. Trata-se de uma versão do Sazerac, criada por Charles H. Baker Junior e apresentada em seu clássico livro de 1939 “The Gentleman’s Companion”.

O set-up à disposição dos participantes apresentava exemplos dos mais diversos, para serem combinados com Cherry Heering: cachaça, vodka, gin, tequila blanco e añejo, rum branco e envelhecido, scotch whisky, irish whiskey, bourbon, conhaque e pisco.

Em São Paulo, a combinação mais apreciada foi com Pisco, enquanto que no Rio de Janeiro o rum envelhecido foi o que mais agradou. Pessoalmente, minha combinação preferida foi com rum branco, que trouxe notas bem interessantes de coco.

Em seguida, bitters aromáticos e de laranja foram colocados à disposição para adicionar complexidade à mistura. Para fechar, damasco, chocolate branco e escuro puderam ser consumidos junto com a mistura para dar mais inspiração à parte final do evento, quando voluntários dentre os bartenders foram para trás do balcão criar alguns coquetéis.

Claudia Schumacher, que comandou os dois dias, disse que estes foram seus primeiros encontros após retornar ao Brasil e “foi uma honra e muito gratificante ter a chance de conhecer tanta gente do mercado, apaixonados pela profissão, interessados em aprender, trocar ideias, participar. Acho que o Brasil tem uma grande cena promissora de coquetelaria e fico feliz em estar de volta e agora fazer parte. O evento mostrou-me o quanto bartenders brasileiros estão interessados em aprender cada vez mais”.

Já a CEO da Perter Heering afirmou que “a indústria de coquetéis vai crescer nos próximos anos no Brasil e vai se desenvolver rapidamente, pelo conhecimento, conscientização e técnica. O desenvolvimento da coquetelaria será muito mais amplo e não ficará apenas restrito ao “de bar em bar”, mas também para os outros locais. Um restaurante “cool and fresh” também irá olhar com mais atenção para uma carta de coquetéis (coisa que talvez não seja sempre o caso hoje) e precisará da ajuda da nossa indústria para educar os seus funcionários e criar menus. A comunidade bartender será de grande ajuda para fazer com que os restaurantes e os hotéis também se concentrem no que está sendo servido nos copos.”

O próximo passo agora para os bartenders brasileiros é inscrever seus coquetéis inspirados em clássicos no Heering Classic Challenge. O campeonato terá 3 fases: inscrição de um coquetel autoral inspirado em um clássico com Heering, adaptação para o menu de uma companhia aérea e a grande final em Londres, durante a Cocktail Week 2018, no Cabinet Bar, do nosso Simon Difford e sede do Difford’s Guide.“Não há nenhum bar do Brasil na lista 50 World’s Best Bars e não há razão para isso, pois há muito potencial. Esta competição vai ajudar a criar o próximo clássico moderno. Estamos à procura de bartenders para criar algo igualmente único, a partir de um coquetel clássico, com adição de Heering para dar-lhe um toque inesperado. Quem sabe não pode ser algo brasileiro e levá-lo para o final em Londres. Os 75% melhores de cada região (Europa, Ásia, Oriente Médio/África, América do Norte, América Latina e Australásia), irão para a próxima rodada e aqui espero que o Brasil seja uma grande parte dos participantes da América Latina”, completa Adéle Robberstad.

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